Pr. Vulmar Junior
Sermão: A Mente Que Encontra a Paz de Deus
Bíblia Sagrada Almeida Século 21 Capítulo 4
8 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. 9 O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim, tudo isso praticai; e o Deus de paz estará convosco.
I. Introdução: O Campo de Batalha Silencioso
Graça e paz aos amados irmãos.
Quero começar hoje com uma pergunta muito pessoal: Quantos de nós lutamos diariamente com a ansiedade, com a preocupação constante, com pensamentos negativos ou até mesmo tóxicos que parecem invadir nossa mente sem pedir licença? É uma batalha silenciosa, muitas vezes invisível para os outros, mas real e exaustiva para quem a vive.
Vivemos em um mundo de ruído constante, não é mesmo? Notícias perturbadoras nos bombardeiam a todo momento, as redes sociais nos convidam a comparações que roubam nossa alegria, e as exigências do dia a dia parecem nunca ter fim. Nesse cenário, muitas vezes, a batalha mais difícil que enfrentamos não é contra inimigos externos, mas contra a desordem, o caos e a inquietação dentro de nossa própria mente.
Na semana passada (ou no último sermão), falamos sobre Filipenses 4:6-7, onde Paulo nos convida a não andarmos ansiosos por coisa alguma, mas a apresentarmos nossas petições a Deus, e a promessa é que a "paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus". Mas como fazemos isso? Como essa paz se torna uma realidade constante e não apenas um desejo distante?
Pensemos no autor desta carta, o apóstolo Paulo. Ele escreve Filipenses enquanto está preso, provavelmente em Roma. Suas circunstâncias são desfavoráveis, sua liberdade cerceada, seu futuro incerto. No entanto, sua mensagem para a igreja de Filipos não é de desespero, mas de alegria e, surpreendentemente, de paz. Como alguém em tais condições pode pregar a paz e exortar à alegria? A resposta, meus irmãos, está na disciplina de sua mente e na prática inabalável de sua fé.
Nesta passagem que acabamos de ler, Filipenses 4:8-9, Paulo nos oferece um manual prático, uma espécie de guia essencial, para cultivar uma mente que não apenas resiste às tempestades da vida, mas que atrai e mantém a presença do "Deus da paz".
A paz de Deus, veremos hoje, não é uma benção passiva que apenas recebemos; é, em grande parte, uma consequência ativa e intencional de como escolhemos pensar e como escolhemos viver.
II. O Desenvolvimento do Sermão:
Ponto 1: A Disciplina de Pensar na Excelência (v. 8)
Paulo inicia o versículo 8 com a palavra "Quanto ao mais" (em algumas versões, "Finalmente" ou "De resto"). Isso indica que ele está fazendo um resumo, uma declaração conclusiva, oferecendo a essência de como a vida cristã deve ser vivida, especialmente após ter falado sobre a ansiedade e a paz.
Ele nos diz: "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."
Que lista extraordinária! Paulo não nos diz apenas para não pensarmos em coisas ruins. Isso seria um desafio quase impossível para a mente humana.
Em vez disso, ele nos dá uma tarefa ativa: focar intencionalmente em oito qualidades que elevam e edificam.
Vamos examinar cada uma delas brevemente:
Tudo o que for Verdadeiro: Pense naquilo que é autêntico, real, honesto, em contraste com a mentira, a falsidade, o engano. Acima de tudo, pense na Palavra de Deus, que é a Verdade absoluta (João 17:17).
Tudo o que for honesto: Refere-se ao que é digno de respeito, reverente, que inspira um senso de dignidade e integridade moral. Em uma sociedade que muitas vezes ridiculariza a virtude, Paulo nos chama a dar valor ao que é honroso.
Tudo o que for justo (dikaios): O que é justo, íntegro, que está em conformidade com a vontade de Deus e com o que é certo perante os homens. Não apenas na lei, mas no espírito da justiça.
Tudo o que for Puro (hagnos): Livre de contaminação moral, casto, sem segundas intenções. Pensamentos que não são corrompidos pelo mal, pela malícia ou pela imoralidade.
Tudo o que for Amável (prosphile): Aquilo que é agradável, que inspira amor e afeição, que é gentil e convida à concórdia. Pense em como o amor de Cristo nos alcança.
Tudo o que for de Boa Fama (euphema): Aquilo que goza de boa reputação, que é elogiável, bem falado. Não se trata de buscar a glória humana, mas de que nossa vida reflita bem o caráter de Deus.
Se houver algo de Excelente/virturde (aretē): Virtuoso, de valor moral superior, meritório. Isso nos chama a buscar a excelência em tudo o que fazemos, para a glória de Deus.
Ou Digno de Louvor (epainos): Aquilo que merece ser aplaudido, elogiado, reconhecido. Não para nós, mas para Deus.
E o que devemos fazer com tudo isso? Paulo diz: "pensem nessas coisas" (do grego logizesthe).
Esta não é uma sugestão passiva, mas um imperativo. Significa considerar, refletir, meditar, calcular, raciocinar intencionalmente. É um ato deliberado de filtrar o que entra e permanece em nossa mente.
Nossa mente é como um jardim. Se não a cultivarmos com sementes boas, com flores e frutos saudáveis, ela será invadida por ervas daninhas.
O que enche nossa mente determina nossa emoção, nossa atitude e, em última instância, a direção de nossa vida.
Se enchermos nossa mente com o que é verdadeiro, nobre e puro, nossos corações e nossas vidas seguirão esse caminho.
Ponto 2: A Prática de Viver a Excelência (v. 9a)
Paulo não para apenas nos pensamentos. Ele rapidamente transita da esfera mental para a esfera prática: "O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim, tudo isso praticai;."
Aqui está uma declaração poderosa. Paulo não está pedindo algo que ele mesmo não viva. Ele, mesmo preso, exibia contentamento, perseverança e uma paz que era visível. Ele havia sido um mentor e um modelo vivo para os filipenses desde a fundação daquela igreja. Ele podia dizer: "Olhem para mim, vejam como eu vivo o que prego."
A fé cristã não é meramente teórica; ela exige aplicação. Não basta saber o que é verdadeiro, nobre, etc.; precisamos agir de acordo com essas virtudes. O cristianismo é O "caminho" (Atos 9:2), A forma de vida que se manifesta em nossas atitudes, em nossas palavras, em nossas decisões diárias.
A obediência é a prova da nossa fé. Ela é a estrada para a transformação. Quando colocamos em prática aquilo que aprendemos da Palavra de Deus e dos bons exemplos, estamos vivendo de maneira consistente com nossa fé.
Pergunto a você hoje: Quem são seus modelos de fé? O que você tem aprendido e recebido da Palavra de Deus? Estamos dispostos a traduzir esse conhecimento em prática diária, mesmo quando é difícil, mesmo quando é contraintuitivo para a lógica do mundo? É fácil falar sobre a verdade, mas é mais difícil viver a verdade quando ela nos custa algo. É fácil pensar no que é amável, mas é um desafio ser amável com quem nos irrita.
Ponto 3: A Promessa da Paz de Deus (v. 9b)
E, então, chegamos à gloriosa promessa que encerra esta seção: "e o Deus de paz estará convosco.”
Esta não é apenas uma paz interior que resulta da ausência de conflitos. Não é a paz que o mundo oferece, que é passageira e depende das circunstâncias externas. Esta é a presença ativa do Deus da paz em nossas vidas.
Significa que o próprio Autor da paz, a fonte de todo shalom – essa paz integral que abrange bem-estar, prosperidade, saúde e segurança – estará conosco.
Se o Deus da paz está conosco, o que mais precisamos temer?
Esta promessa em 4:9 complementa perfeitamente a "paz de Deus que excede todo o entendimento" mencionada em 4:7.
A paz de Deus guarda nossos corações e mentes quando oramos e entregamos nossas ansiedades. Mas a presença do Deus da paz é a recompensa daqueles que ativamente disciplinam sua mente e praticam a virtude.
As duas coisas andam de mãos dadas. É uma sinergia divina: oramos, entregamos, e então cultivamos nossos pensamentos e ações, e como resultado, a própria presença de Deus nos envolve em Sua paz.
Você deseja a paz em sua vida? Não a paz superficial que o mundo oferece, mas a paz profunda, inabalável e duradoura que vem da presença de Deus. Ela é acessível através da disciplina de seus pensamentos e da prática consistente de sua fé.
III. Conclusão: Convidando a Paz
Amados, vimos hoje que a paz de Deus em nossa vida não é um acidente ou um golpe de sorte, mas uma consequência intencional e ativa de como gerenciamos nossa mente e como vivemos nossa vida.
Precisamos disciplinar nossos pensamentos, escolhendo ativamente focar no que é excelente (v. 8).
Precisamos praticar a fé, colocando em ação tudo o que aprendemos da Palavra de Deus e dos bons exemplos que nos são dados (v. 9a).
E o resultado, a gloriosa recompensa, é a presença do Deus da paz conosco (v. 9b). Ele mesmo se fará presente, e onde Ele está, há paz.
Qual é o seu chamado à ação hoje?
Primeiro, um desafio mental: O que você vai permitir que ocupe sua mente a partir de agora? Que tipo de "lixo mental" – talvez amargura, preocupação excessiva, fofoca, pensamentos impuros – você precisa descartar? E que "tesouros" – a Palavra de Deus, a oração, a gratidão, o louvor – você precisa cultivar ativamente? Comece a filtrar o que você consome: a mídia, as conversas, o entretenimento.
Segundo, um desafio prático: Há alguma área em sua vida onde você precisa "pôr em prática" o que já sabe ser certo? Onde seu pensamento e sua ação precisam se alinhar mais com a Palavra de Deus? Talvez em seu relacionamento familiar, em seu ambiente de trabalho, em sua comunidade. Abrace a obediência não como um fardo, mas como o caminho para a liberdade e a paz.
Finalmente, um convite à paz: Se você anseia por essa paz que excede todo o entendimento, por essa presença do Deus da paz em sua vida, convide-o a habitar mais plenamente em seus pensamentos e em suas ações. Renda-se a Ele, peça-Lhe que o ajude a renovar sua mente e a viver de uma forma que o honre.
Que o Deus da paz esteja com cada um de vocês, não apenas hoje, mas em todos os seus caminhos, à medida que vocês buscam pensar no que é excelente e a praticar o que é virtuoso.